10 jogos imperdíveis que você pode ter perdido Escrito por em

Sei que estas são palavras fortes e dolorosas, mas precisam ser faladas: é impossível jogar todos os jogos do mundo. Dito isto, sei que muitos de nós estão aproveitando o começo da nova geração pra buscar os must-play que perdemos na geração passada, mas aqui vai outra verdade: a mina de ouro não se esconde apenas lá.

Sempre existem aquelas jóias escondidas que ficam em um abismo de esquecimento esperando alguém que as tire de lá, e hoje, esse alguém sou eu. Esta é uma lista de jogos de várias gerações e gêneros que muitos, infelizmente, deixaram passar:

Clock Tower (SNES)

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Sala convidativa e aconchegante.

Clock Tower não é simplesmente uma boa pedida para fãs de jogos de terror. É obrigatório. Ele é a origem do gênero Survival Horror e lida com o tema de forma muito mais elaborada que muitos dos outros títulos da época que se basearam na mesma proposta.  A atmosfera de horror do jogo era fortalecida por seu visual macabro e músicas mais tensas, se destacando de outros títulos de “terror” da época, que eram apenas jogos comuns com um esqueleto aqui ou um vampiro ali. Nada imersivo de verdade.

Seguindo uma mecânica de point n’ click com o cursor controlado pelo joystick, Clock Tower apresenta vários puzzles interessantes e iniciou algo recorrente em jogos de terror, que é o inimigo icônico que segue a protagonista durante o jogo. Se você até hoje fica tenso com Nêmesis em Resident Evil 3 ou chora escondido no canto do seu quarto quando o Pyramid Head aparece em Silent Hill 2, isso tudo se deve a Clock Tower. Então pague seus respeitos e jogue esse jogo que é incrível.

Endless Space (PC, Mac)

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“Pew pew pew.”

Um dos jogos mais recentes dessa lista, Endless Space foi lançado em 2012 e é um jogo obrigatório para de fãs de estratégia. Ele foi atraente ao extremo para mim, por me lembrar bastante os jogos da série Civilization, mas levando esse tipo de estratégia em um ambiente Sci-Fi, antes mesmo do anúncio de Civilization Beyond Earth. Porém, Endless Space passa longe de ficar a sombra de outros jogos do gênero.

Tudo é extremamente bem acabado e polido. A mecânica é sólida e extremamente diversa, contando com unidades customizáveis, que proporcionam uma imensa variedade de estratégia. Também há uma diversidade de raças que proporciona mudanças significativas na forma de jogar, além da opção de criar sua própria raça, escolhendo vantagens e desvantagens que se adequem ao seu estilo de jogo, sem perder o balanceamento. Fora isso, o multiplayer ainda garante muita diversão e puxada de tapete, que sinceramente, é o que se espera de um bom multiplayer versus.

Darkwatch (PS2, XBOX)

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Vampiros no velho-oeste steampunk. Não tinha como dar errado.

Jogos de tiro em primeira pessoa não são os favoritos de muita gente. Muitos os consideram repetitivos, tanto em temática quanto em mecânicas e mesmo eu, que gosto do gênero, admito que muitas críticas a vários jogos são verdade. Ainda assim, é injusto condenar todo um gênero por defeitos de algumas franquias. Darkwatch é um dos melhores FPS que já cheguei a jogar. Ele é muito diferente de tudo que já joguei dentro do gênero.

Para começar, o jogo já apresenta uma premissa muito diferente da que estamos acostumados no gênero. Nele, você se encontra na pele de Jericho (que é um nome maneiro, já começa bem), um bandido que, ao tentar roubar um trem, liberta um lord vampiro que o morde e foge, espalhando o caos por onde passa, em uma ambientação que mistura o velho oeste, steampunk e temas de horror. O protagonista pode confundir inimigos, soltar raios, sugar almas e transformar inimigos em aliados, dependendo das escolhas que o jogador toma ao longo da história. Darkwatch também conta com um excelente modo cooperativo para a campanha, que é diversão garantida para quem gosta do bom e velho multiplayer local.

The Cat Lady (PC)

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Susan curtindo um raro momento de paz.

Esse vai principalmente para os fãs de adventures, jogos de horror ou simplesmente de uma excelente história e personagens extremamente bem-construídas. The Cat Lady conta a história de Susan Ashworth, uma mulher de meia idade com depressão crônica que vive só em seu apartamento apenas com a companhia de gatos e, certa noite, decide tirar a própria vida. Tudo a partir daí é um pouco de spoiler, então vou deixar a curiosidade sobre o jogo fazer efeito.

O que posso contar é que The Cat Lady além de ser um jogo sensacional, é um símbolo de um grande passo a frente na indústria, abordando temas mais complexos e adultos com delicadeza e crueza ao mesmo tempo. Tudo no jogo é pensado para reforçar sua temática mais sombria, desde os gráficos até a trilha sonora, formando o que eu julgo o melhor adventure dos últimos tempos.

Astro Boy: Omega Factor (GBA)

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Um dos maiores clássicos do mangá com uma adaptação à altura.

Ninguém confia muito em adaptações. Seja de filme, anime, ou qualquer outra mídia, adaptações em jogos sempre são encaradas com um pé atrás, já que muitas delas apenas aproveitam para monetizar em cima do hype de algum lançamento. Esse definitivamente não é o caso do fantástico Astro Boy: Omega Factor, para Gameboy advance.

Astro Boy: Omega Factor não é simplesmente uma boa adaptação, mas é um jogo excelente por si só, sendo um dos melhores action-platformer do GBA, e olha que estamos falando de um portátil que conta com jogos da série Metroid, Castlevania, Megaman, Metal Slug etc. Nascido de uma parceria da Sega com a Treasure (desenvolvedora de jogos notáveis, como Ikaruga, Wario World e Gunstar Heros), o título faz jus não só ao legado dessa obra de Osamu Tezuka como a todo um gênero e, por isto, se consolida em todos aspectos como um dos melhores jogos da plataforma.

Lufia & the Fortress of Doom (SNES)

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Armaduras douradas e  pixel-art de primeira qualidade.

Todos sabem que um dos fortes do Super Nintendo são seus excelentes RPGs. Há uma quantidade colossal de excelentes títulos do gênero para o console, como Final Fantasy VI, Breath of Fire, Earthbound, Chrono Trigger, Secret of Mana, Dragon Quest V e vários outros. Infelizmente, entre esse mar de bons jogos, outros jogos excelentes acabam ficando esquecidos. Este é o caso de Lufia & the Fortress of Doom

Uma das coisas mais marcantes sobre Lufia é a diferença de seu sistema de batalha, onde personagens têm como alvo não só um inimigo individualmente, mas o grupo. Isto e vários outros pequenos diferenciais fazem do jogo um dos RPGs mais desafiantes do SNES no quesito estratégia de batalha. Apesar de ter uma premissa simples, Lufia contem bons diálogos e uma ótima interação entre as personagens, fortalecendo o sentimento de grupo para o jogador. Outro destaque vai para a pixel art, principalmente em chefes ou monstros maiores, que ocupam uma grande porção da tela e são de encher os olhos. Um RPG clássico que executa muito bem aquilo que se propõe e que merece mais destaque do que realmente tem.

Einhander (PSX)

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Mais “pew pew pew”.

A transição para 3D provida pela geração do PSX e do Nintendo 64 foi cruel com muitos gêneros, incluindo os Shooters foram um deles. Com a falha de tentativas o transferir a experiência tradicional dos jogos para 3 dimensões e a momentânea queda no interesse por jogos bidimensionais, o gênero foi deixado de lado por muitas desenvolvedoras. Em meio a um ambiente tão hostil, surge Einhander: defintivamente o melhor shooter do PSX e a prova de que ogênero não havia morrido.

Apesar do jogo ser poligonal, sua jogabilidade segue o tradicional 2D. Porém a rotatividade da câmera e o movimento dos inimigos gera um excelente efeito visual reforçando a arte poligonal muito bem trabalhada do jogo. Os cenários, os inimigos, chefes e a sua nave são todos muito bem trabalhados e garantem uma ambientação incrível. Vale citar que Einhander foi desenvolvido pela Square-Enix, o que também significa um trilha sonora incrível. O jogo é desafiador, com uma jogabilidade rápida e interessante, que prende o jogador do começo ao fim.

M.U.S.H.A Aleste (Sega Genesis)

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Mechas samurais. Badass.

Falando de Shooters, por que não falar de outro não tão conhecido que merece muito mais reconhecimento do que tem? M.U.S.H.A é o terceiro jogo da série Aleste, que iniciou no MSX e Mega Driver, sob o nome de Power Strike no ocidente porque nós somos bem clichê. M.U.S.H.A Aleste é certamente um dos Shooters mais bonitos do Sega Genesis, tanto em termos gráficos quanto em música.

A trilha sonora é impecável e as naves e cenários são extremamente bem construídos. Não só isso, mas a ambientação do jogo é particularmente interessante, se passando numa versão alternativa do mundo real onde avanços tecnológicos em um alto ritmo permitiram construções de naves, robôs e computadores. Dessa forma, o jogo apresenta um contraste extremamente interessante do Japão feudal com temas futuristas. Uma das melhores experiências que o gênero pode oferecer.

Legend of Princess (PC)

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“Ele não lembra o… o… aquele… Como é o nome?”

Esse você não tem nenhuma desculpa para não jogar, já que é oferecido gratuitamente no site do próprio desenvolvedor pra download. Criado por Joakim “Konjak” Sandberg (Conhecido por Noitu Love e por trabalhar também no incrível Contra IV), Legend of Princess é um jogo, obviamente, com uma fortíssima inspiração em The Legend of Zelda. Apesar de curto, é extremamente bem acabado e planejado, quebrando quaisquer expectativas negativas que se possa ter de um jogo gratuito.

Apesar da inspiração, o título opta por uma mecânica de plataforma e ação, reimaginando o design de batalhas da série nesse gênero, e se sai incrivelmente bem. Também existem puzzles ao avançar do jogo que são resolvidos de diferentes modos dependendo dos itens que o jogador opte no começo, fornecendo diversos níveis de dificuldade. Curto e brilhante, Legend of the Princess é um excelente jogo para matar um tempo e até mesmo aprender um pouco sobre game design.

GodHand (PS2)

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Porradaria da melhor qualidade.

Por final, um dos meus jogos preferidos do Playstation 2: GodHand. Desenvolvido pela lendária Clover Studios (A mesma de Okami e Viewtful Joe), este é meu jogo favorito do estúdio (Sim, mais que Okami e Viewtful Joe). Com um humor e uma mecânica excepcionais, GodHand é um Beat em’ up como poucos, revitalizando os antigos conceitos e trazendo diversas inovações pro gênero.

Com um sistema que aumenta a dificuldade conforme a sua perfomance, além de uma vasta customização de golpes, excelente sistema de esquiva e vários golpes especiais com efeitos diferenciados, GodHand tem uma mecânica sólida que já seria suficiente para garantir diversão por si só. Mas não para aí. GodHand é um dos jogos mais engraçados de sua geração, com batalhas contra chefes como um Mexicano estereotipado, um Gorila lutador de luta livre e com participação de chihuahuas venenosos. Certamente uma obra-prima e o jogo ideal para tirar a poeira do seu PS2!


A lista deveria ser maior, mas sabemos que 10 é um número bem mais sexy do que 32 quando se trata de artigos. Você lembra de algum outro jogo que deveria ser um clássico inesquecível e acabou ficando de fora daqui? Coloca nos comentários porque nós da equipe sempre precisamos de boas indicações!

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Juni

Formando em Sistemas e Mídias Digitais, descobri que prefiro falar sobre jogos do que fazê-los. Tenho grande interesse na parte de Game Design, Narrativa e Ilustração.

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