A liberdade em Metal Gear Solid V Escrito por em

Quando Metal Gear Solid V foi anunciado como um jogo de mundo aberto, jogadores em todo o mundo foram à loucura: Estranhos se abraçavam na rua, mágoas eram perdoadas, fogos tomavam os céus das capitais de todas as nações enquanto pessoas de todos os povos se uniam para celebrar a mais nova conquista da humanidade, que trazia a paz mundial como um mero efeito secundário. Ok, talvez não tenha acontecido exatamente dessa forma, mas era assim que estavam os corações de todos os fãs da série.

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Todos nós a cada novo trailer.

Mas seria esse um grande motivo para comemoração? Jogos de mundo aberto são constantemente aclamados simplesmente pelo fato do mundo ser aberto, de modo que muitas vezes pouco muda na experiência, além da duração do jogo. Mas eu, pelo menos estava comemorando. Estava ansioso não apenas para ver que contribuições esse estilo traria para a série, mas para ver o que Metal Gear Solid traria para o estilo, e não fui decepcionado.

Normalmente, jogos com mundo aberto têm um grande foco na exploração do seu mapa. Uma grande parte de seu encanto está em vagar pelo mundo criado descobrindo novas coisas, locais, histórias e quaisquer outras coisas que se possam descobrir. Embora seja um sentimento de aventura e descobrimento muito motivador e que dura eternidades para alguns jogadores, não é raro que deixe tantos outros entediados depois de algum tempo.

Um motivo para explorar

Quando Skyrim me jogava de um lado a outro do mapa a cada quest, a alegria de ter tanta coisa nova para ver era gradualmente substituída pelo frustração de não ter nada novo para fazer. Quanto mais repetitivo tudo parecia, mais o jogo me fazia andar (pelo menos é o que parecia), e minha exploração ali não parecia ter um objetivo real, e mesmo quando eu simplesmente queria ver a história andando, eu me via em uma jornada um tanto enfadonha por um mundo que deixava de ser fascinante para se tornar só um obstáculo entre meu personagem e seus objetivos.

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“Quem é um bom conteúdo opcional? É você~”

Metal Gear Solid V não tem o mundo encatador de um Elder Scrolls ou Fallout, mas eu me sinto incrivelmente mais compelido a explorar. Isto porque o jogo me dá motivos reais para fazer o que eu tenho que fazer, além de um NPC me pedindo isso. Eu vou até determinado local para coletar materiais, recrutar soldados, ou fazer diversas missões que vão efetivamente me ajudar no decorrer do jogo, e eu posso fazer qualquer uma dessas coisas à medida que eu sinto necessidade, transformando o que inicialmente parecia um deserto vazio em um mundo rico a seu próprio modo.

Em cada ponto do mapa, há algo para se fazer, mesmo que não seja uma missão secundária. Eu posso decidir fazer determinado caminho para passar por um posto e pegar certo recurso que eu precise, ou recrutar soldado ou até mesmo conseguir mais informações sobre o mapa. Ou eu posso simplesmente pegar o helicóptero para ir direto para onde eu preciso, e mesmo se você não se sentir compelido a explorar tudo isso, basta ignorar e fazer o que lhe é necessário para a história. A exploração em Metal Gear Solid V não é uma obrigação, e sim uma possibilidade.

Vou fazer do meu jeito.

Não é pela falta de cenários fantásticos que o mundo de Metal Gear Solid V deixa de ser imersivo; na verdade, eu diria que é um dos mundos que me deixou mais imerso, não mais pela forma como o mundo ambienta o jogador, mas pela forma como o mundo deixa o jogador livre para escolher que forma bem lhe cabe jogar.

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Sutileza é uma opção…

Em uma das primeiras cenas do jogo, Ocelot lhe dá sua primeira missão e deixa claro: “como e onde você fizer seu próximo movimento, é com você. De agora em diante, você está por si”. Eu gosto de acreditar que isso é mais que um diálogo entre dois personagens. O jogo está falando diretamente com o jogador, que agora é a hora dele dar seus passos, e é isso que você faz. Metal Gear Solid V lhe deixa livre para achar que estratégia mais lhe agrada, mas lhe surpreende antes que você ache que encontrou a estratégia perfeita.

Quando eu acho que eu encontrei a estratégia ideal para matar todo mundo e cumprir um determinado tipo de missão, na próxima me aparece um helicóptero e minhas armas não funcionam mais e eu tenho que achar uma solução. Quanto mais tiros na cabeça eu acertava, mais soldados apareciam com capacete; quanto mais invasões noturnas, mais os soldados carregam lanternas e me obrigavam a ser mais cuidadoso. Até mesmo o relevo pode determinar como você interage com cada mecânica, sendo mais que apenas um cenário, mas um fato relevante para a forma como o jogador interage com o jogo.

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Ocelot sabe o que diz.

Não é à toa que em cada conversa que tive sobre determinadas missões do jogo com amigos meus que estavam jogando, cada um de nós cumpriu as missões de uma forma diferente. Não só isso como os parceiros que escolhemos e até mesmo as armas que desenvolvemos ao longo do jogo. O mundo de Metal Gear Solid V é o que mais vi fazer juz ao termo “sandbox”, dando ao jogador o espaço para se divertir descobrindo coisas novas do seu próprio modo. Escolher seus caminhos, dar seus próprios passos e jogar não como o jogo lhe manda, mas como você se sente confortável, pois afinal, o Big Boss agora é você.

 

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Juni

Formando em Sistemas e Mídias Digitais, descobri que prefiro falar sobre jogos do que fazê-los. Tenho grande interesse na parte de Game Design, Narrativa e Ilustração.

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