Adultos também gostam de jogos fofos Escrito por @macedofelipe em

Faz pouco menos de um mês desde que comprei Yoshi’s Wooly World e desde então me encontro viciado nele. Há muito tempo esperava jogá-lo e a jogabilidade e trilha sonora não me decepcionaram em nenhum momento. Só isso já me seguraria no game até o final dele, mas o principal motivo pelo qual me encontro compenetrado nele é porque o título oferece algo que está difícil de ver nos dias de hoje: O jogo é simplesmente fofo em toda sua essência.

Eu, jogando Yoshi Wooly World.

Eu, jogando Yoshi Wooly World.

Diferente de títulos mais realistas como The Witcher, Metal Gear, Halo e Assassin’s Creed, Yoshi’s Wooly World em nenhum momento tenta passar um cenário realista, aquela imagem que caso passe desapercebido, poderia ser bem uma imagem da vida real. Talvez os desenvolvedores tentaram ser realistas, sim, mas no sentido mais lúdico possível. Eles tentaram imaginar um mundo inteiro feito de lã, linhas e confetes e como eles poderiam tornar isso (quase) real.

Como esse tipo de jogo faz falta pra mim. Não me entenda mal, eu acho maravilhoso que graças à tecnologia que temos, quase reproduzirmos com fidelidade o mundo real dentro de um jogo, mas também sinto falta de jogos mais lúdicos, simples, que não exigem do jogador grande concentração, entendimento do plot da história ou que induza ao grind de habilidades para avançar dentro do game e ainda no final não ser um jogo sem conteúdo.

As produções de tais jogos mais lúdicos ou simples podem ter diminuído com o tempo, mas nem tudo está perdido.

Cresci jogando NES e Super Nes e provavelmente por conta do hardware limitado de cada um, jogos cartunescos era o que mais se tinha em suas bibliotecas, enquanto que jogos de luta lutavam (que trocadilho infame) para parecerem mais reais, talvez para conquistar uma audiência mais adulta ou mostrar que aquilo não era jogo pra ~criança~. Jogos como Alladin, Pocky & Rocky, Castle Of Illusion, Congo’s Caper e Bomberman me divertiam infinitamente e sinto falta de títulos semelhantes e que estimulam a imaginação.

Quackshot é, de longe, um dos melhores exclusivos que o Mega Drive teve. O personagem principal é Donald, o que poderia dar errado? Bem que esse game poderia reaparecer nas prateleiras, hein?

Quackshot é, de longe, um dos melhores exclusivos que o Mega Drive teve. O personagem principal é Donald, o que poderia dar errado? Bem que esse game poderia reaparecer nas prateleiras, como aconteceu com Castle Of Illusion.

Enquanto que fico feliz pela industria ter evoluído em termos de tecnologia e como apresentar histórias, parece que boa parte daquela magia e simplicidade ficou perdida lá atrás. Claro, ainda temos Nintendo sabendo fazer isso como ninguém e Sony com LittleBigPlanet e Tearaway oferecendo alternativas, mas as grandes desenvolvedoras parecem que resolveram focar seus esforços e recursos para outro tipo de público, deixando a responsabilidade para as desenvolvedoras indies, o que não deixa de ser uma oportunidade para elas explorarem o que as empresas mainstreams não fazem.

Little Big Planet é um dos jogos mais good feels que a biblioteca do Playstation Oferece.

LittleBigPlanet é um dos jogos mais good feels que a biblioteca do Playstation oferece, além de estimular a imaginação e criatividade como poucos conseguem fazer com maestria.

As produções de tais jogos mais lúdicos ou simples podem ter diminuído com o tempo, mas nem tudo está perdido. Jogos com um caráter mais lúdico como Unravel e Cuphead, que usam e abusam da imaginação do jogador, estão chegando em um futuro próximo.

Jogos foram feitos para serem divertidos e não necessariamente coisas divertidas precisam ser reais. Com um pouco de fantasia e imaginação, tudo fica mais divertido. Como já diria Carl Segan: “a imaginação muitas vezes nos leva a mundos que nunca existiram, mas sem ela não iríamos a lugar algum”.

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Felipe Macedo

Amante dos jogos eletrônicos desde que se entende por gente e criado com o melhor que a geração 8-bits e 16 bits podia oferecer, hoje é formado em Jornalismo e faz de tudo pra unir sua paixão profissional e sua paixão pessoal. Durante sua adolescência aprendeu a amar o pc gaming da mesma forma (ou até mais, lendas dizem) que os consoles dedicados.

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