Batman nos games: uma retrospectiva (emocional) Escrito por @bfcavalcante em

Poucos heróis podem dizer que fizeram a migração de mídia para os jogos eletrônicos tão bem quanto o homem-morcego. Existe um passado glorioso por trás da elogiadíssima (com razão) franquia Arkham, um passado que este que vos escreve viveu – e, se você nasceu nos anos 80, você provavelmente viveu comigo. Abra o coração e prepare-se para uma forte dose de nostalgia de Batman.

Ano Um

Tudo começou em 1986, com Batman (MSX), lançado pela Ocean Software. A própria lançaria também o segundo jogo: Batman: The Caped Crusader (1988, PC). O curioso é que esse foi o primeiro título que saiu nos EUA – o primeiro só foi lançado na Europa.

Aqueles momentos em que fomos vencidos no que pensávamos ser o que fazíamos de melhor: jogar videogame.

Mas 1989 foi um grande ano para o herói de Gotham: Batman era lançado no cinema (Tim Burton, Jack Nicholson – grande filme!), e esse lançamento abriu uma era gloriosa de jogos derivados. A Ocean Software também lançou um jogo baseado no filme, mas o grande destaque foi para o primeiro título lançado para consoles: Batman: The Video Game (NES, 1989), desenvolvido pela Sunsoft.

Batman: The Video Game foi a primeiro título do homem-morcego nos consoles

Batman: The Video Game foi a primeiro título do homem-morcego nos consoles

Alguns meses depois a Sunsoft também o lançou para o Game Boy e o Mega Drive. Mas foi no portátil da Nintendo que a história da minha infância e adolescência se entrelaçou com ele: dos meus 8 aos 16 anos eu tentei finalizar este jogo, mas fracassei em todas as tentativas. Muitas foram as horas em que passei jogando e memorizando os padrões e tempo de ataque de todos os inimigos, mas ainda assim não consegui ficar à altura de todos os desafios impostos pelo jogo.

Todos lembramos com amargura carinho dos títulos em que tentamos, tentamos e não conseguimos anotar o nome no nosso caderninho de jogos finalizados – aqueles momentos em que fomos vencidos no que pensávamos ser o que fazíamos de melhor: jogar videogame.

Batman: The Video Game para o Game Boy: quando este que vos escreve não foi bom o suficiente

Batman: The Video Game para o Game Boy. Você está vendo certo: Batman ATIRA (muito) neste jogo. Deal with it.

No natal de 1991 as crianças pediram ao Papai Noel: “Eu quero Batman: Revenge of the Joker para o meu nintendo!”. Era a segunda adaptação sob a tutela da Sunsoft lançada para o NES (também saiu para o Game Boy e o Mega Drive), e a antecipação era imensa. Com o filme de 1989, a popularidade do homem-morcego estava lá em cima e o recente sucesso de Batman: The Video Game dera o claro sinal de que havia dinheiro no mercado de jogos eletrônicos.

Sonho de consumo das crianças em 1991

Sonho de consumo das crianças em 1991

Os Anos Incríveis

Este belo período da história do Batman nos consoles não começou com um beijo na Winnie Cooper, mas com Batman Returns – adaptação do filme lançado em 1992 e a primeira entrada da franquia no Super Nintendo.

Quem não queria fazer isso como o Batman?

Quem não queria fazer isso como o Batman?

Lembro de estar na casa de um amigo, junto com muitas outras crianças, com todos praticando a conhecida técnica de revezamento de controle em uma sessão de Batman Returns para o Mega Drive. O jogo era incrível – e era tudo o que nós, crianças,  sonhávamos (na época): um beat’em’up (pense Streets of Rage) super bonito, com boa jogabilidade e todas as figuras importantes do filme. Andar por aquela Gotham sinistra, toda cheia de neve, enquanto você bate (com estilo) em capangas do Pingüim era extremamente prazeroso em 1992.

E tinha a mulher-gato da Michelle Pfeiffer.

A icônica Mulher-Gato da Michelle Pfeiffer também dá as caras em Batman Returns. :3

Mas não era só no cinema que Batman estava tendo destaque: todos estávamos grudados na televisão para ver o novo desenho animado no SBTCom o seu retumbante sucesso, um jogo à altura foi lançado em 1993: The Adventures of Batman & Robin. Que época para ser um fã do homem-morcego!

A versão para o Super Nintendo foi desenvolvida pela Konami, e o meu coração foi arrebatado violentamente de paixão e amor por ela: tudo parecia muito fiel à série animada, a jogabilidade era extremamente fluida e você realmente conseguia se sentir sendo Batman. Foi o primeiro título a mesclar tão bem as habilidades acrobáticas, de combate e o uso de gadgets. E tudo isso no estilo visual do genial Bruce Timm.

Caro leitor, por favor pare uns minutos para absorver esses gráficos lindos.

Caro leitor, por favor pare uns minutos para absorver esses gráficos lindos da versão para o Super Nintendo.

Se você teve um Mega Drive, é possível que você tenha ficado um pouco confuso: The Adventures of Batman & Robin também saiu para o console da Sega, mas como um jogo inteiramente diferente – porém também baseado no desenho animado. A versão do Mega é um beat-em-up acelerado onde Batman e Robin usam armas também, assim como no meu nêmesis na versão do Game Boy.

Mas o que tornou este jogo marcante é que ele é de 2 jogadores. Sim, irmão ou irmã. Se você viveu os anos 90 em toda a sua glória, você bem sabe o que um jogo de 2 players significava naquela época: Sucesso. Na sua forma mais pura, mais sincera e mais honesta.

Finalmente um Batman de 2 jogadores!

As vigílias e orações foram atendidas: finalmente um Batman de 2 jogadores!

Costumava alugar The Adventures of Batman & Robin e passar o fim de semana jogando junto com um amigo sem parar, enquanto comia fontes inesgotáveis de biscoitos e salgados.

Em 1995 estreava nos cinemas de todo o mundo Batman Forever, dirigido por Joel Schumacher. Pouco tempo depois o jogo do filme, desenvolvido pela Acclaim, também foi lançado. Assim como Batman: The Video Game para o Game Boy, minha relação com Batman Forever é de tentar, tentar, tentar e falhar em finalizar o jogo – que não foi muito bem recebido pela crítica, por sinal. Os gráficos mais cartunescos foram abandonados em prol de um estilo mais realista, mais parecido com o que Mortal Kombat vinha fazendo.

Me vi falando e me empolgando cada vez menos sobre os novos lançamentos, e logo estava jogando sozinho os novos títulos

Seria o último título do cavaleiro de Gotham na geração, que foi marcada pelo brilhantismo de The Adventures of Batman & Robin – algo que demoraria muitos anos até ser repetido.

A Queda do Morcego

Em 1998 a Acclaim continuou sua não tão boa sequência na franquia com Batman & Robin, baseado no filme homônimo e lançado para o Playstation. O jogo possuía gráficos tridimensionais (lágrimas pelo fim dos belíssimos gráficos 2D que vimos no SNES/Mega Drive) e tinha alguns elementos de sandbox. Você ainda podia escolher entre o Batman, Robin ou a Batgirl. Era uma proposta ambiciosa para a época, mas a execução infelizmente não ficou tão boa quanto havíamos nos acostumado na geração anterior. Como fã, tenho que dizer que joguei bastante e o jogo me deixou satisfeito, porém não agradou a grande parcela do público. Os dias onde jogos do Batman significavam sucesso comercial estavam chegando ao fim.

Sim! Você podia dirigir com o Batmóvel por Gotham City em Batman & Robin.

Você já podia dirigir com o Batmóvel por Gotham City em Batman & Robin.

Nesta época meu entusiasmo por cada novo jogo do Batman já não era mais compartilhado com todos os meus amigos. Me vi falando e me empolgando cada vez menos sobre os novos lançamentos, e logo estava jogando sozinho os novos títulos, lutando para conseguir encontrar eles em algum lugar e quase sempre ficando um pouco triste com a qualidade dos jogos, que antes eram tão bons.

E os filmes também não estavam lá essas coisas todas – eram tempos sombrios para os fãs.

Representação dos fãs do Batman neste período

Representação dos fãs do Batman neste período

Após Batman & Robin, foi lançado Batman Beyond: Return of the Joker, adaptação do filmaço filmaço filmaço filme de animação da série Batman Beyond. A versão do Playstation teve uma péssima recepção – o que ajudou a cimentar a impressão de que os jogos atuais do homem-morcego já não mais representavam qualidade. Procurei, mas na época não consegui achar esse jogo em lugar algum, e acabei por nunca tirar minhas próprias conclusões.

A esperança estava na série animada, com a futura estrela Harley Quinn e seu pudim

A esperança estava na série animada, com a futura estrela Harley Quinn e seu pudim

Nos próximos anos vários títulos foram lançados baseados na animação The New Batman Adventures, sucessora de Batman: The Animated Series. Visto que as animações do morcego estavam produzindo grandes histórias, parecia o caminho certo a se seguir. Em 2001 Batman: Vengeance foi lançado pela Ubisoft, já na geração do Playstation 2, e teve uma recepção positiva da crítica e dos fãs.

Como não ser fã do estilo visual das séries animadas do Batman?

Como não ser fã do estilo visual das séries animadas do Batman?

A Ubisoft continuou lançando títulos do personagem, a grande maioria com uma recepção mais positiva do que negativa. Até que em 2005 um grande evento chacoalhou os fãs no mundo inteiro: Christopher Nolan assumiu a direção do Batman nos cinemas, e lançava o ótimo Batman Begins. A EA Games publicou o jogo derivado do filme, que também teve reações razoavelmente positivas da crítica do público. Neste título você já explorava mais o aspecto amedrontador do Batman – algo que viria a ser muito mais utilizado no futuro próximo.

O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Demoraram 15 anos para que os fãs do homem-morcego pudessem jogar um jogo fantástico novamente – a última vez foi com Batman: The Animated Series, para o Super Nintendo. A todo o amor do mundo para Rocksteady desenvolveu a franquia Arkham, que iniciou sua trajetória gloriosa em 2009 com Batman Arkham Asylum, considerado por muitos como um dos melhores títulos de super-heróis já lançados na história dos jogos eletrônicos.

I'M BATMAN!

I’M BATMAN!

Batman Arkham Asylum gerou três sequências (até agora): Arkham City (um dos melhores jogos da minha vida), Arkham Origins e Arkham Knight, lançado recentemente para a geração do Playstation 4. A franquia Arkham tem quase tudo que você, fã, poderia querer: investigação, personagens fiéis, dublagem excepcional, gráficos belíssimos, muitas referências à histórias clássicas dos quadrinhos, enigmas do Charada, um Coringa impecável.

É isso, irmãos e irmãs: mantivemos a chama acesa durante esses longos 15 anos e valeu a pena: o Batman agora possui uma das melhores franquias no mundo dos jogos eletrônicos. O Cavaleiro das Trevas ressurgiu.

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Bruno Cavalcante

Co-fundador da Alvanista e um grande fã da cultura oriental. Aprendeu a gostar de jogos eletrônicos com Super Mario Bros., teve seu primeiro amor com Shining Force II e viu que games era sua paixão quando jogou Chrono Trigger pela primeira vez. Acredita que Super Bomberman 4 deveria ser modalidade olímpica.

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