Bravely Default: uma ode à Squaresoft Escrito por @bfcavalcante em

“Final Fantasy já não é mais como antigamente!” Já perdi as contas de quantas vezes já ouvi isso. De primeira impressão, essa afirmação parece ser baseada somente no saudosismo – porém, acredito que exista alguma verdade nela. E onde Bravely Default entra nessa história? Discutir ele é discutir um pouco da história da franquia Final Fantasy – pois Bravely é um representante tão digno desta franquia quanto os clássicos Final Fantasy numerados.

Bravely Default foi feito com base nas mesmas fundações de jogos que marcaram a era de ouro da Squaresoft, como Final Fantasy IV, VI e IX. Com algumas horas de jogo você consegue perceber as referências nos jobs, magias, itens, visual, no estilo do enredo e até no desenvolvimento dos personagens. O jogo possui aquele clima de ficção científica-medieval característico da Squaresoft – porém, com tons mais de aventura, como em FFIX e nos primeiros Final Fantasy.

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Como não e apaixonar por esses gráficos?

Esmero nos gráficos

Se existir um prêmio definitivo para os jogos mais bonitos do 3DS, Bravely Default certamente seria um dos concorrentes mais fortes. Os personagens são muito bem animados, sem aquele excesso de economia nos frames. Cada novo job (e são muitos) altera a roupa do personagem em questão. Os menus são muito claros, bonitos e de fácil navegação. Tudo repleto de ícones super caprichados e uma tipografia estilizada de encher os olhos. Só assistir o jogo já é um espetáculo à parte.

Gameplay clássico aprimorado

É aqui que Bravely Default resplandece, na minha opinião. Todas as coisas “chatas” dos JRPGs clássicos foram trazidas de volta, mas com um mojo. Sabe aquelas batalhas aleatórias que te torravam a paciência? Em Bravely você tem uma opção desligar essas batalhas a qualquer momento. E quando você precisava grindar para vencer um boss? Existe uma opção para aumentar a ocorrência das batalhas aleatórias, durante a batalha você pode repetir todos os comandos da anterior automaticamente (se preferir) e ainda pode aumentar a velocidade da batalha em até 4 vezes, para tudo passar mais rápido. A batalha em si é bem tradicional, com exceção do novo esquema de Brave e Default. Brave te deixa executar mais de uma ação por vez, ao custo de não poder agir novamente no próximo turno. Default te deixa em estado de defesa, e te dá um crédito de uma ação a mais para usar a qualquer momento. A combinação de Brave e Default, junto com as características próprias de cada job e os especiais de cada arma fazem o combate algo muito divertido.

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Ringabel: seu próximo personagem favorito.

Enredo leve e cativante

A proposta do jogo não é nada como um Xenogears – mas também não é necessariamente ruim. Bravely Default conta uma história simples, mas que é envolvente o suficiente para não te deixar ignorar ela e só lutar contra os chefes. Os personagens evoluem bem, mas o que se destaca mais são as interações entre eles, usualmente em um tom mais leve e bem-humorado. À partir da segunda metade do jogo a história toma uma direção diferente, e a queda de qualidade é notável. A impressão que fica é que o time responsável resolveu estender a história para dar mais opções de prolongamento do jogo para os jogadores mais ávidos, visto que já é possível pular para o último capítulo à partir do capítulo 5. Se você encarar essa segunda metade como você encarou os quatro primeiros capítulos, prepare-se para ficar desapontado. Agora, encarando como uma medida (opcional) para expandir a experiência do jogo, é até interessante.

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Vale a pena?

Se você é fã de jogos como FFVI, FFIX, FFIV, entre outros clássicos da época de ouro dos JRPGs, Bravely Default tem que fazer parte da sua coleção no 3DS. Você deverá ter 100+ horas de jogo de pura diversão e saudosismo de um jogo que não deixa muito a perder dos clássicos citados anteriormente. E o sucesso foi tão grande que uma sequência já está garantida. Quem sabe Bravely Default não abre caminho para uma nova era de ouro dos JRPGs? Oremos.

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Bruno Cavalcante

Co-fundador da Alvanista e um grande fã da cultura oriental. Aprendeu a gostar de jogos eletrônicos com Super Mario Bros., teve seu primeiro amor com Shining Force II e viu que games era sua paixão quando jogou Chrono Trigger pela primeira vez. Acredita que Super Bomberman 4 deveria ser modalidade olímpica.

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