Estava super empolgado, mas quando li as primeiras críticas… Escrito por @bfcavalcante em

Você é pego de surpresa com um trailer de um jogo, filme ou série, e fica intrigado com ele. Resolve acompanhar as novidades até o lançamento, e tudo que saía te deixava cada vez mais empolgado. Chega o tão esperado dia de lançamento, e as primeiras críticas. Você já estava decidido, mas não custa nada ler uma ou duas críticas dos seus sites favoritos. Será que ele vai ser mesmo tudo que eu espero? Você lê as primeiras críticas, e elas são… mornas. Nota 6, ou 7.

Nos tempos atuais ou uma obra é 10/10 MELHOR DE TODOS OS TEMPOS, ou não interessa. Cair no limbo das notas intermediárias é um caminho rápido para o esquecimento e o desinteresse.

COMO ME SINTO QUANDO: as primeiras críticas de algo que esperava muito não são boas

COMO ME SINTO QUANDO: as primeiras críticas de algo que esperava muito não são boas

Alguns anos passam, você resolve dar uma chance para a obra e – para a sua surpresa – você a adora.

O perigo e a beleza das críticas

Achou a história acima familiar? Aconteceu comigo algumas vezes. Sou um grande fã de Game of Thrones – dos livros, e da série. Quando soube da parceria de HBO com a Telltale (desenvolvedora por trás do ótimo The Walking Dead), fiquei muito empolgado com o filho dessa união. O mundo criado por George R. R. Martin é bem complexo, e cheio de conflitos onde todos os lados envolvidos são compreensíveis. Isso nas mãos de uma empresa como a Telltale faz muito sentido. Logo, a compra parecia quase certa para mim.

Quando o jogo saiu, fui ler as primeiras críticas e não foram muito empolgantes. Parece que não era tudo o que poderia ter sido, e acabei por não jogá-lo no tempo de seu lançamento.

Screenshot do jogo de Game of Thrones, da Telltale. Não, pera!

Screenshot do jogo de Game of Thrones, da Telltale. Não, pera!

Acontece que, muito tempo depois, resolvi dar uma nova chance para o jogo, à partir de um feedback de amigos, também fãs dos livros e da série. Comecei com um pé atrás, sem muitas expectativas. Terminei o último episódio muito feliz com a experiência, e estou empolgado para a já anunciada segunda temporada do jogo.

Jogos são experiências pessoais, e não podem ser avaliadas de forma objetiva e universal

Isso não quer dizer que o jogo é imperdível, ou que a crítica foi injusta. Isso só quer dizer que a obra me afetou de forma extremamente positiva, e não muito mais do que isso. Se você também é um grande fã da saga de Martin, isso não necessariamente quer dizer que você também vai gostar. Depende muito do que você gosta em um jogo, e em uma história. Parece chato falando assim, mas é porque realmente é.

Gostar ou não de uma obra é algo bem pessoal e é difícil imaginar uma forma única de marcar um título como “excelente”, “razoável”, ou “ruim”. Jogos são experiências pessoais. Não podem ser avaliadas de forma objetiva e, principalmente, universal. Mas isso não nos impede de tentar – a ideia é muito sedutora.

Reação da internet ao ler uma nota de 7.5 para The Last of Us

Reação da internet ao ler uma nota de 7.5 para The Last of Us – mas será que o 10 de um crítico quer dizer o mesmo do de outro?

As críticas são instrumentos muito úteis para nós, consumidores. Existe simplesmente conteúdo demais sendo produzido atualmente, e seria necessário muito tempo (e muito dinheiro) para consumir todos os títulos que nos interessam. É razoável fazer uso de um mecanismo que nos ajude a escolher melhor as nossas próximas aquisições – tanto pelo aspecto de economia financeira quanto de tempo.

Um crítico quis dar uma nota 7.5, querendo dizer que é um bom jogo – mas a comunidade recebe o 7.5 como uma má avaliação, pois “qualquer coisa menor do que 8 é ruim”

Também sabemos que muita gente não lê tudo que é escrito nas análises – e se o produtor de conteúdo não fornecer um resumo da crítica, seus leitores podem não se interessar pelo formato – é aí que entram as tão conhecidas notas.

A definição do que é uma “nota 8” pode ser diferente de pessoa para pessoa. Um crítico quis dar uma nota 7.5, querendo dizer que é um bom jogo – mas a comunidade recebe o 7.5 como uma má avaliação, pois “qualquer coisa menor do que 8 é ruim“, podem pensar alguns (muitos, infelizmente).

ótima tirinha do xkcd sobre avaliações

Se você acrescentar a nota final de um agregador como o MetaCritic nisto, a salada fica ainda mais completa: cada site pode ter um critério de avaliação diferente mas, para o agregador, a nota 8 de um site significará a mesma coisa da nota 8 de outro. O MetaCritic tem, definitivamente, a sua importância para o consumidor (e para a indústria, como a Kotaku discutiu em “Metacritic Matters: How Review Scores Hurt Video Games”): é uma forma muito rápida e prática de medir a avaliação da crítica, principalmente se você ainda não possui seus sites favoritos para isso, onde você tem uma identificação maior com os valores, critérios e perfis dos escritores.

É aí que está a beleza e o perigo das críticas: elas são práticas e úteis, e por isso muitas vezes acabamos por nos deixar levar demais por elas e esquecemos de que somos únicos, e nossa percepção sobre jogos e outras formas de entretenimento pode ser diferente dos sites que você costuma ler suas críticas. E nisto podemos acabar deixando passar alguns títulos que não foram aclamados pela crítica, mas seriam muito bem recebidos por nós.

Esse é um dos motivos pelos quais optamos por não ter mais análises aqui na Ivalice. A experiência é tão pessoal que seria complicado até fornecer uma visão da editoria sobre um jogo quando dentro da nossa própria equipe existem visões divergentes sobre quase todos os títulos. E isso é lindo: o fato de que cada obra ressoa conosco de forma diferente, e que a nossa resposta à elas não é padrão e automatizada, mas sim pessoal e íntima é grande parte do que nos faz amá-las.

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Bruno Cavalcante

Co-fundador da Alvanista e um grande fã da cultura oriental. Aprendeu a gostar de jogos eletrônicos com Super Mario Bros., teve seu primeiro amor com Shining Force II e viu que games era sua paixão quando jogou Chrono Trigger pela primeira vez. Acredita que Super Bomberman 4 deveria ser modalidade olímpica.

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