Jogos episódicos: uma tendência que veio para ficar Escrito por @macedofelipe em

O ano de 2012 foi um ano interessante: lançamento do tão esperado Diablo III, Max Payne também voltava em sua terceira história (e agora no Brasil) depois de anos aposentado, e Mass Effect 3 chegava para encerrar a história do Comandante Shepard. Mas para a surpresa de muitos, o Game Of The Year daquele ano não ficou nas produções milionárias dignas de um grande filme da Rockstar ou mesmo da EA ou Blizzard, mas sim para uma empresa chamada Telltale e seu jogo modesto de point & click utilizando o universo de The Walking Dead. Quem diria que as histórias de Lee e Clementine tocariam a fundo o coração de todos nós jogadores.

Apesar de ter sido com The Walking Dead que ela ganhou maior destaque dentro da indústria, Telltale fez jogos episódicos de Back to The Future, Jurassic Park e vários outros antes de ganhar o GOTY com Walking Dead. Após 2012, ela trabalhou em histórias de outras franquias como Tales From The Borderlands, Game Of Thrones, Minecraft e o recém anunciado Batman. Mas Telltale não apenas trouxe de volta o point & click de jogos antigos como Monkey Island para os antigos e novos jogadores, ela consolidou uma fórmula já antiga de fazer títulos, porém esquecida: jogos episódicos.

Se no jogo do Batman não tiver essa cena, dou ragequit nele. :(

Se no jogo do Batman não tiver essa escolha de diálogo, dou ragequit nele.

Para quem não é familiar com o termo, vou explicar de forma simples: Imagine que você esteja assistindo um episódio de uma série semanal e tem que esperar um tempo (uma semana) para assistir um episódio e outro. É basicamente isso, só que o tempo de pausa entre um episódio e outro é maior do que isso. Pronto, é assim que os jogos da Telltale funcionam. Você compra o jogo completo e vai recebendo o conteúdo com o passar do tempo.

Esse modelo de jogo também é bom porque faz com que o título tenha relevância por mais tempo tanto nas mãos dos consumidores, como da mídia especializada

Outros jogos episódicos também foram desenvolvidos como Life is Strange, D4 Dark Dreams Don’t Die e Resident Evil Revelations 2. E todos estiveram e estão tendo aceitações positivas no mercado, principalmente Life is Strange. E enquanto esse método de entregar um jogo completo em partes pode ser visto como negativo por uns, eu só consigo ver vantagens nele. É vantagem para nós consumidores porque podemos jogar o título mais cedo que se fosse esperar por toda a produção do jogo. Jogos episódicos também é uma boa alternativa para não se prender em apenas um jogo por muito tempo, podendo ficar alternando com outros títulos enquanto o outro episódio não é liberado pela publisher. Para os mais pacientes, então, melhor ainda, que podem comprar o produto totalmente completo e ainda geralmente por um preço bem mais convidativo.

Life is Strange conta a história de Max, uma estudante que um belo dia descobre que pode voltar no tempo e impedir que coisas aconteçam.

Life is Strange conta a história de Max, uma estudante que um belo dia descobre que pode voltar no tempo e impedir que coisas (boas ou ruins) aconteçam.

Para a publisher e desenvolvedores, esse método também é o mais puro amor. Com o lançamento de jogos episódicos, eles podem ter feedback mais preciso dos fãs e, a partir disso, fazerem modificações que acharem necessárias para que o próximo episódio do jogo se torne mais relevante e atraente para o consumidor. Esse modelo de jogo também é bom porque faz com que o título tenha relevância por mais tempo tanto nas mãos dos consumidores, como da mídia especializada.

Até Final Fantasy VII Remake será dividido por episódios, de acordo com uma matéria publicada tanto pela Kotaku quanto pela IGN. Cada episódio (se supõe três episódios porque o jogo no Playstation 1 possuía três discos) mostrará uma experiência única ao jogador, além da Square Enix afirmar também que o conteúdo de cada episódio vai equivaler a um jogo completo. Não é o ideal para todos, já que é um jogo antigo e com uma história já escrita, mas pelo menos poderemos jogar os primeiros minutos de Midgar mais cedo do que se precisássemos esperar pelo jogo em sua totalidade.

Final Fantasy VII Remake talves seja o primeiro RPG episódico que veremos nesta geração

Final Fantasy VII Remake talvez seja o primeiro RPG episódico que veremos nesta geração

Eu sinceramente não acho ruim esse jogo e outros terem o formato episódico, pelo contrário. Como falei antes, dessa forma é possível aproveitar vários jogos de pouco em pouco. Em uma sociedade que consome tudo na velocidade da luz e gera uma demanda incrível de grandes jogos em pouco tempo, é provável que jogos episódicos se tornem cada vez mais algo natural na indústria dos games, que tenta suprir a demanda.

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Felipe Macedo

Amante dos jogos eletrônicos desde que se entende por gente e criado com o melhor que a geração 8-bits e 16 bits podia oferecer, hoje é formado em Jornalismo e faz de tudo pra unir sua paixão profissional e sua paixão pessoal. Durante sua adolescência aprendeu a amar o pc gaming da mesma forma (ou até mais, lendas dizem) que os consoles dedicados.

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