Não, eu não sou “gamer” Escrito por em

E não, você não está no site errado, é isso mesmo que você leu. Este também, logicamente, não é um texto para falar que eu não gosto de videogames. Na verdade, o que me motivou a escrever sobre esse assunto é justamente a paixão que tenho pelos jogos e a importância que eles tiveram na minha vida. Boa parte das minhas amizades eu conheci jogando videogames ou fiquei mais próximo delas por este motivo.

Entrei na faculdade com a intenção de poder estudar jogos mais seriamente, assim como diversas outras pessoas com diversas outras histórias de vida. E esse é um dos principais motivos de eu não ver com os melhores olhos quando se tenta unificar toda essa diversidade de pessoas que dividem uma paixão em um único estereótipo disfarçado de bandeira que traz danos tão visíveis.

A imagem de que jogar não é só uma fonte de diversão, mas um motivo de orgulho que nos torna seres superiores aos meros mortais que não jogam.

Jogos tiveram um grande ” boom” de popularidade de uns tempos para cá, e eles que eram considerados um hobby “inferior”, hoje em dia têm um público tão grande e geram até mais receita que o cinema. Temos que concordar que isto é incrível. 

Não, eu jogo. Eu juro.

Não, eu jogo. Eu juro.

O lado ruim é que, tanto da parte das pessoas que curtiam vídeo games antes quanto das que descobriram esse novo hobby agora, criou-se o “mito do gamer”. A imagem de que jogar não é só uma fonte de diversão, mas um motivo de orgulho que nos torna seres superiores aos meros mortais que não jogam, ou que jogam o que não gostamos. A ideia de que há uma bandeira a defender de que nem todo mundo pode ser um “verdadeiro gamer”.

Quantas vezes já não ouvimos frases que começam com o típico “gamer de verdade…”?

Pode parecer trivial, mas isso afasta muita gente e pode ser um grande retrocesso contra o reconhecimento que nós mesmo queríamos que os jogos tivessem. Quando você diz que não se considera um cinéfilo, ou um leitor muito ávido, a primeira coisa que os amantes dessas mídias fazem é lhe dar as mais diversas recomendações com o sorriso de uma criança no rosto, e eu não entendo porque isso não funciona com jogos.

Dizer que prefere jogos casuais no celular é suficiente para te julgarem como o grande mal da indústria de jogos.

Dizer que nunca jogou um “clássico” dos jogos lhe garante a maior quantidade de caras de reprovação que você possa receber. Dizer que você gosta de Just Dance parece levantar dúvidas sobre seu caráter e dizer que prefere jogos casuais no celular é suficiente para te julgarem como o grande mal da indústria de jogos, e não estou exagerando. Queria estar, mas não estou.

Luckystar+gameing+like+a+pro+anime+lucky+star+http+myanimelistnet+anime+1887+lucky+e2+98+86star_3b7b4f_4707505

Mas não se preocupe, todos já estivemos aí.

Eu não sei quantas vezes eu já falei com amigos meus que não jogavam e me diziam: “Ah… eu queria jogar isso, mas eu não sou gamer”. Isso é algo que muito me entristece, pois o que eu via antes como sendo uma fonte de diversão virou uma forma de elitizar um hobby.

Isso afeta o cara que tem medo de conversar sobre jogos porque comprou o primeiro console agora e “não entende muito”, a mulher que é hostilizada ou assediada no jogo online porque “menina não gosta dessas coisas”, e até mesmo uma modelo que vá fazer um ensaio fotográfico com um videogame, coisa que a internet só parece permitir caso a pessoa tenha preenchido um formulário com pelo menos 15 jogos do Game Gear que ela tenha concluído.

Gamur

Não, eu não acredito nessa imagem do “gamer” e tampouco acredito que tenho mais direito sobre minha paixão do que qualquer outra pessoa.

Para você que quer começar a jogar e sente medo dessa imagem criada: sim, você pode se divertir com um videogame se você só quiser jogar FIFA. Você pode comprar aquele Final Fantasy novo que parece tão legal sem ter jogado os anteriores, e aproveitar bastante o jogo. Você não precisa jogar no hard para ser um jogador de verdade. Tudo que você precisa é se divertir.

Eu não sou gamer e não concordo com esse mito que se cria , não porque eu não goste de jogos, mas porque eu os adoro. Eu não sou gamer porque é muito mais legal quando os jogos nos unem do que quando eles nos separam. Eu não sou gamer porque eu acredito que jogos deveriam ser, e são, para todos.

Gostou do texto? Ajude a espalhar o nosso amor por videogames!

Juni

Formando em Sistemas e Mídias Digitais, descobri que prefiro falar sobre jogos do que fazê-los. Tenho grande interesse na parte de Game Design, Narrativa e Ilustração.

Leia todas as postagens do Junior.