Radiant Historia: um dos RPGs mais brilhantes da Atlus Escrito por @bfcavalcante em

Para quem está um pouco cansado de JRPGs com uma abordagem mais infantil, onde ninguém nunca morre, nenhum romance se concretiza, os vilões são realmente “maus” e os heróis são realmente “bons”, a nossa amada Atlus traz um conto sobre guerrasreligião, política, amizade e sacrifício em Radiant Historia, um dos jogos mais memoráveis do seu catálogo recheado de RPGs aclamados pelo público e crítica. Mais do que isso, Radiant Historia é um conto sobre decisões e perspectiva – e certamente te fará pensar muito sobre as coisas que têm acontecido com você, como elas podem ser vistas e como poderiam ter sido diferentes se você tivesse tomado uma outra decisão em determinado momento. Jogos que te fazem pensar assim, além de te darem inúmeras horas de diversão, são um achado.

A história de Vainqueur

Usualmente, jogos com enredo complexo acabam precisando de muitas horas de jogo para começar a te prender e a história passar a ser o elemento principal que te faz ficar ali de frente para a tela do console durante 40+ horas. Porém, Radiant Historia não perde tempo em te envolver no seu enredo: o primeiro ato do jogo já mostra a que veio, e é um dos melhores inícios de rpgs que já vi.

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Sem medo de exagerar, posso afirmar que o que vai te fazer jogar Radiant Historia é acompanhar e viver a saga de Stocke, o protagonista. Um sujeito de poucas palavras, mas de uma personalidade carismática e que age sempre de forma muito coerente com o contexto. Alguém que você acredita, que você torce e se empolga em estar jogando com. Os outros personagens também são muito bem construídos, inclusive os não-jogáveis. Preciso citar Eruca, Dias e Selvan como alguns dos que mais me chamaram a atenção. Como é bom jogar um RPG com personagens que não são só preto-e-branco, e possuem um background que justifica suas atitudes e os torna humanos.

O reino de Vainqueur, onde se passa o jogo, está perecendo. A cada dia, os terrenos outrora férteis são transformados em desertos, em um processo chamado Desertificação. Os reinos que ainda possuem terras verdes vivem em guerra, tentando conquistar o pouco terreno que ainda não foi devorado pela desertificação. Logo no início do jogo é dado a Stocke o poder de viajar pelo tempo, e tomar decisões diferentes. Essas decisões geram um novo caminho para a história, e você deve trilhar por essas várias possibilidades até encontrar um caminho em que o mundo não seja destruído. Você será guiado por dois guardiões do tempo, que esperam que você possa encontrar um caminho, dentre as milhares de opções diferentes, em que as pessoas não se matem e a desertificação seja impedida. Porém, eles já estão cansados de tentar encontrar esse caminho, e fracassarem. É aí que você entra.

Através das viagens no tempo, você irá assistir vários eventos sob várias perspectivas, e isso vai tornar toda a história de cada reino, e cada uma das figuras importantes, extremamente rica e fascinante.

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Sistema de jogo, gráficos e trilha sonora

Radiant Historia possui um sistema de batalha baseado em turnos e posições – cada inimigo assume um posicionamento na tela (dentre 9 possíveis), e você irá usar e manipular esses posicionamentos para causar mais dano, receber menos e agrupar os inimigos para causar dano conjunto. É bem interessante, porém não muito desafiador. Poucas foram as batalhas que me fizeram realmente ficar tenso e me concentrar mesmo. Os gráficos são razoáveis, porém nota-se uma certa economia de frames e desenhos. As artes ilustrativas dos personagens, todavia, são excepcionais.A trilha sonora é boa, e vai te deixar no clima do que o jogo está passando no momento. Todos esses aspectos são bons, porém longe de serem excelentes – eles deixam toda a responsabilidade para o enredo, que absorve isso com maestria e é o carro-chefe do jogo.

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Vale a pena?

Infelizmente, Radiant Historia acabou não tendo o reconhecimento que merece, apesar de ser tido por boa parte da crítica especializada como um dos melhores RPGs do DS, e por isso a tarefa de conseguir comprá-lo pode acabar se provando um pouco difícil. Porém, se você é fã de JRPGs, da Atlus, ou gosta de histórias mais complexas, vale o esforço para adquirir esse jogo, e faço essa recomendação sem medo.

E prepare-se para vivenciar uma história emocionante: o final do jogo é de trazer lágrimas nos olhos.

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Bruno Cavalcante

Co-fundador da Alvanista e um grande fã da cultura oriental. Aprendeu a gostar de jogos eletrônicos com Super Mario Bros., teve seu primeiro amor com Shining Force II e viu que games era sua paixão quando jogou Chrono Trigger pela primeira vez. Acredita que Super Bomberman 4 deveria ser modalidade olímpica.

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